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Ser é estar, aqui acolá…

O Xico Sá publicou há uns dias no blog dele da Folha as “Razões para amar e odiar SP”. Nossa, foi ler e bater uma nostalgia terçã, saudade de uma época nada distante, mas que, diante da vida que comecei a levar com a maternidade, parece ter acontecido em outra vida. E foi mesmo, na verdade.

Comecei a lembrar de como era bom explorar São Paulo sob a dinâmica do entretenimento a todo custo e da absorção de conhecimento indispensável. São Paulo é relevante difusora dessas duas grandezas, ultrapassando e transcendendo a dureza propagada “clichemente”. Minhas experiências paulistanas foram e sempre serão as melhores possíveis, sei disso! Mas confesso que não sei se essa convicção cairia por terra no caso de torná-la residência. Só morando pra saber. Mas “mefaltame” a coragem… São Paulo não para!!! E gosto de parar. Antes pouco gostava. Agora, é condição. #blogueiracariocacanastraecovarde

Precisei comentar uma fração do meu contentamento com a cidade no post do Xico: São Paulo é uma efervescência efervescente, um x-tudo com tudo dentro! 24 | 7 | 365, 220v! Tudo ao mesmo tempo agora! Várias nights em uma – sou carioca, pra mim balada é night! -, a cena cultural é pulsante, uma terra onde todos prestigiam os artistas e suas artes. Por isso, tantos shows de primeira grandeza, os nacionais e sobretudo os internacionais, bem como os do circuito dito alternativo; tantas peças de teatro e tantas exposições passam pela cidade. Os SESCs funcionam, são lindos e são referência! Os serviços absolutamente de primeira, seja na padaria, na galeria ou na drogaria: tudo é bem servido. O concreto, o cinza, a poluição, o trânsito, os alagamentos, os assaltos, todos esses malefícios que acometem uma megalópole podem macular, mas não esmorecem o entusiasmo do jeito paulistano de ser e viver. Amo meu Rio de Janeiro, mas tenho São Paulo como “cidade-acessório”: tiro onda portando a atitude de quem esteve aí fazendo seja lá o que for.

Ai, ai… Queria ter falado mais e melhor, mas saiu assim…

Não satisfeito, Xico publicou ontem uma declaração de amor rasgada ao Recife, querendo fazer justiça com as próprias palavras e memória afetiva. Justo, muito justo! Em “Recife melhor que Paris” eu o entendi completamente. O que é do homem o bicho não come. A nossa terra, os cheiros, os gostos, o conceito de conforto e beleza, o que as retinas reconhecem e o que afaga os ouvidos (sotaques e ritmos) são amálgama do que somos enquanto seres culturais.

Minha família inteira é pernambucana, porém só conheci Pernambuco, e tão somente Olinda e Recife, em 2008, no Carnaval. É arrepiante dizer que, assim que pisei em Recife, eu tive uma revelação, uma espécie de epifania ancestral, tipo, eu reconhecia tudo sem nunca ter estado lá antes! Parecia o quintal de casa, a casa da minha bisavó; o terreiro da casa da Tia Olga, na Pavuna; pareciam meus primos, que muitos chamo de tios por conta da grande diferença de idade, perambulando de forma incrivelmente familiar diante dos meus olhos. Mas eu sou daqui, ora!, pensei!

Nesse sentido, para o meu conforto cultural e ancestral, bato os calcanhares e digo que não há melhor lugar que o Recife.

Porém, meus calcanhares não param de bater diante das possibilidades que cada pedaço de chão desse mundão de meu Deus pode oferecer: “o melhor lugar do mundo é aqui, e agora”. Daqui a pouco, depois de amanhã, é lá, acolá,…

E voltar. Ou não.

Dedico este post à minha irmã Guta, que está acolá, mas sempre bem pertinho de mim. Amor infitnito! Muá!

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